sexta-feira, 29 de abril de 2011

A obrigação da Lua

A vida, ás vezes, parece-me tão sem sentido
Como um poema que houvesse perdido
algumas frases
Olho homens e mulheres como estátuas
lapidadas por ninguém
Aglomeram-se alienadas em arenas
onde cada grito da torcida faz crescer
o dinheiro no bolso de poucos senhores
E o auge da melancolia é o preto e branco
colorido das festas
E o silicone de despeitadas saltitando
para além dos trajes quase invisíveis, insensíveis
Por vezes me comparo à Lua
Obrigada a observar o campeonato humano
de futilidades, transito, futebol, desfiles,
cachorros com roupas, isso tudo...
definitivamente, eu não suportaria ser a Lua deste mundo.

Marcelo Poeta

2 comentários:

patrícia disse...

Ontem, eu estive no Sarau Poético Musical. Estava maravilhoso! Aproveito a oportunidade para saudar os componentes da trupe, como eles se denominam: Eduardo (Dudu ou Dado Wienandts),Gisele (Gi) e Marcelo Poeta pela iniciativa de realizarem este evento. Continuem com este trabalho, porque segundo Iury Lotman, a poesia é a arte feita com palavras, e é exatamente isso que vocês fazem. Espero sinceramente que as pessoas apreciem cada vez mais este evento cultural que só vem acrescentar ao nosso dia, e que como disse o eterno José Saramago "Se podes olhar, vê. Se podes ver ver, repara", elas não somente olhem, mas reparem que a vida nada mais é do que uma poesia!

Marcelo Poeta disse...

Olá Patrícia
Tua presença foi fundamental para a harmonia do evento;
Te espero nos próximos.

beijos