terça-feira, 7 de junho de 2011

Enquanto eu dormia


Caminhávamos pelo calçadão de Garopaba, mas não era Garopaba. Mãos dadas, em um romance que parecia sério. Falávamos sobre a possibilidade de ali morar, sobre a tranqüilidade, se os filhos apreciariam a calmaria em demasia... andávamos planejando o futuro.
Ela era baixa, pequenininha e elegante. Vestia um quase terninho preto sobre uma blusa de gola V branca. Possuía olhos castanhos, claros e radiantes, narizinho levemente pontudo, lábios finos, onde pousava um batom sem cor e brilhoso.

Seu cabelo era também castanho, mescla de claro e escuro, dividido ao lado esquerdo e, ao lado direito do rosto, eles caiam compridos, lisos e esvoaçantes.
O trajeto termina em uma via alta, da qual avistávamos o mar. Sentamos, ela deita sobre meu colo onde dou início à um cafuné e um carinho em suas costas. Sobre a roupa.
Ela parecia um anjo, ali dormindo. Reparo em outras garotas que passavam nos observando, mas ela era a menina mais linda que eu já vira.

O ambiente muda e nos percebo em uma sala. Há mais pessoas conosco. Precisamos responder à um questionário. Ela precisa pegar um ônibus, não retornaria comigo à Garopaba. Começa a se despedir de todos. Meu telefone toca. É meu pai, querendo alguma informação. Ao desligar, descubro que ela já se foi. Eu acordo sem ter-me despedido dela.


Onde, agora acordado, encontrarei esse amor?

Marcelo Poeta

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